10 Sonetos Inspiradores

10 Sonetos Inspiradores

10 Sonetos Inspiradores

Soneto – Definição

Antes de apresentarmos os nossos 10 Sonetos Inspiradores, vamos à definição de Sonetos.

Sonetos D’Alma – E-book de Paulo Braga Silveira Junior – CLIQUE AQUI!

Soneto é uma forma literária de estrutura fixa, composta por 14 versos. Destes 14 versos, 2 são quartetos e 2 são tercetos, ou seja, 2 possuem um conjunto de 4 versos, e 2 um conjunto de 3 versos.

A delicadeza do Soneto está na sua sonoridade. A própria palavra Soneto tem o significado de “pequeno som”.

Saiba mais sobre Sonetos aqui…

A origem do Soneto aqui…

10 Sonetos Inspiradores escolhidos pelo Sonetos D’Alma:

Separamos abaixo 10 sonetos inspiradores, talvez não os melhores sonetos, mas sonetos de refência de grandes sonetistas.

10 Sonetos Inspiradores

Via Láctea – Olavo Bilac

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

10 Sonetos Inspiradores

Soneto da fidelidade – Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

10 Sonetos Inspiradores

Soluços – Jordano Paulo da Silveira

É comum após chover,
escutar-se, a noite inteira
o pingar de uma goteira
num monótono bater

e, se a gente sai pra ver,
do telhado sob a beira
uma lata seresteira
gota a gota a receber.

Lata amiga, por que choras
através de tantas horas
sem te encheres nunca d’água?

Lembrar fazes corações
recebendo ingratidões
sem jamais guardarem mágoas!

Costumeira – Paulo Braga Silveira Junior

Me convidaste à festa em noite escura
pra ser-te o par na dança do desejo…
Escuto o grito à pele, o céu prevejo
perante o anseio em ti que se depura!…

A música me chega num lampejo
do pensamento arquitetando a cura
e nesse instante o baile se inaugura
conforme, a carne entregue a mim, manejo.

Me expões a taça em que deita o licor
servindo-me na borda o teu sabor
e me deleito a fundo a noite inteira…

Nem bem termina a dança, outra começa
pois que o amor, entre nós dois, não cessa
e nosso enlace é festa costumeira!…

Qualquer coisa de obscuro – Fernando Pessoa

Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
E até onde, por fim mal, tropeço
No que de mim em mim de si se esquece.

Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.

Mas, vinda dos vestígios da distância
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.

Remiu-se o pecador impenitente
À sombra e cisma. Teve a eterna infância,
Em que comigo forma um mesmo ente.

Amar! – Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

Fanatismo – Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !

Não vejo nada assim enlouquecida …
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa …”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
“Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! …”

À meia-luz – Paulo Braga Silveira Junior

É findo o dia, a luz, a claridade,
o brilho de alegria ao campo dado;
termina a tarde e o sol se põe deitado
em manto de esplendor sobre a cidade!…

Já deu-se o entardecer por consumado
na longa estrada posta à eternidade…
Findou-se o sonho, o prazo, a mocidade,
o amor de quem outrora fora amado.

Tão logo há de chegar a escuridão,
o medo da velhice e a solidão…
Não temas, pois há noites de luar…

Após, nos nasce em brilho o amanhecer
portanto, se chegou-te o anoitecer,
convide alguém – de boa – pra jantar!!…

Nel mezzo del camin – Olavo Bilac

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

As ondas – Olavo Bilac

Entre as trêmulas mornas ardentias,
A noite no alto-mar anima as ondas.
Sobem das fundas úmidas Golcondas,
Pérolas vivas, as nereidas frias:

Entrelaçam-se, correm fugidias,
Voltam, cruzando-se; e, em lascivas rondas,
Vestem as formas alvas e redondas
De algas roxas e glaucas pedrarias.

Coxas de vago ônix, ventres polidos
De alabastro, quadris de argêntea espuma,
Seios de dúbia opala ardem na treva;

E bocas verdes, cheias de gemidos,
Que o fósforo incendeia e o âmbar perfuma,
Soluçam beijos vãos que o vento leva…

Se quiser receber mais sonetos inspiradores, inscreva-se em nossa lista de e-mail e fique por dentro de novas publicações do Sonetos D’alma.

4 Comentários

Deixe uma resposta


%d blogueiros gostam disto: