A água da chuva desce a ladeira – Fernando Pessoa

A água da chuva desce a ladeira – Fernando Pessoa

A água da chuva desce a ladeira – Fernando Pessoa

A água da chuva desce a ladeira.

É uma água ansiosa.

Faz lagos e rios pequenos, e cheira

A terra a ditosa.

Há muito que contar a dor e o pranto

De o amor os não querer…

Mas eu, que também o não tenho, o que canto

É uma coisa qualquer.

Poesias Inéditas (1919-1930). Fernando Pessoa.

Soneto: Cigarro – Paulo Braga Silveira Junior

Queria ser teu vício, teu cigarro
a estar na tua boca todo instante
e entre os teus dedos o tempo bastante
pra marcas te deixar desse meu sarro!

Sentir o entorpecer leve e constante
dos pensamentos teus onde me agarro
e ser teu cheiro, gosto, o teu pigarro,
o amigo mais presente, o teu calmante…

Desejo arder contigo todo afago
dos lábios teus em mim e, a cada trago,
te penetrar no afã desse querer…

Enfim, ao me acabar, ter satisfeito
os teus anseios todos e, de efeito,
tornar-me o que te dá total prazer!

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