Amiga

Amiga

Amiga

Amiga, apenas, fôra… Lá da escola!
Sorriso que encantava a todos e era
tão bela quanto um céu de primavera;
mulher demais pra mim, eu, rapazola!…

O que o futuro traz ninguém espera
e seu mandar, então, quem o controla?
Hoje é o abraço seu que me consola
aconchegado de paixão sincera.

No entrelaçar de mãos sequer supus
que instante após, sobre um tapete, nus,
o amor nos uniria a carne em chama…

De amiga fez-se esposa amada, amante,
a dividir de seu prazer constante
nas teias que o destino nos proclama!

Soneto:Amiga – Paulo Braga Silveira Junior – Maio/2020

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XXV (Maria Thereza Cunha de Giacomo)

Quando vibro e palpito toda inteira
no frêmito do amor que me domina
choro minha pureza de menina,
choro a vestal, choro a noviça, a freira.

Amo sem ter amor. Como rameira,
sou mulher toda inteira. E é minha sina
no prazer que me abrasa e me fascina
me sentir mentirosa e verdadeira…

O meu corpo me trai a alma distante,
e, sucumbindo, em chama delirante,
faz-me ser duas, por me dividir…

Pois é tempo demais para amar tanto
e viver só de sonho e desencanto
sem deixar minha carne te trair!

XLI (Maria Thereza Cunha de Giacomo)

Sou duas. A que eu tenho e a que eu queria…
Há entre as duas um profundo abismo:
uma, sou a que faz; outra, a que cismo;
uma que tece; outra que sonhos fia…

Nos meus olhos se esconde a fantasia
que uma canta e a outra cala, em seu mutismo.
Numa se escondem gestos de lirismo…
A outra constrói meu pobre dia a dia…

E assim, a um tempo abstrata e consciente,
vou levando esta vida calma e ardente
de estar aqui e me perder, lá fora…

Uma é tua — a que em mim fica escondida, —
a outra soluça, me arrastando a vida…
E em ambas estou morta, viva embora!

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