Ancorado

Ancorado

Ancorado

Tal como que ancorado ao cais, parado,
o barco do meu ser se silencia
à espera de uma aurora em novo dia
rompendo um céu de luz todo estrelado!…

O anseio de te ter se evidencia.
Saudades do teu riso aqui ao meu lado;
de ouvir um caso teu, sempre engraçado,
que de vigor e paz nos contagia.

Me aquieto dentro d’alma… Ouço somente
a voz deste silêncio em mim, dormente,
qual fosse um grito a suplicar piedade…

Não tardes a me vir… Traga a tua chama
que sempre, o amor intenso, nos conclama,
mas venha antes que eu morra de saudade!…

Soneto: Ancorado – Paulo Braga Silveira Junior – Abril/2020

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Soneto 108 (Luis Vaz de Camões)

Erros meus, má fortuna, amor ardente
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava o amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
a grande dor das cousas que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a nao querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
dei causa que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro génio de vinganças!

Há um poeta em mim que Deus me disse… (Fernando Pessoa)

Há um poeta em mim que Deus me disse…
A Primavera esquece nos barrancos
As grinaldas que trouxe dos arrancos
Da sua efêmera e espectral ledice…

Pelo prado orvalhado a meninice
Faz soar a alegria os seus tamancos…
Pobre de anseios teu ficar nos bancos
Olhando a hora como quem sorrisse…

Florir do dia a capitéis de Luz…
Violinos do silêncio enternecidos…
Tédio onde o só ter tédio nos seduz…

Minha alma beija o quadro que pintou…
Sento-me ao pé dos séculos perdidos
E cismo o seu perfil de inércia e vôo…

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