Carícia

Carícia

Carícia

Nos nasce, da carícia de um olhar,
sementes vivas, puras, da intenção
que aos poucos, germinando o coração,
encontra para si perfeito lar!

Nos leva além, se inflando de paixão
nas noites coroadas de luar
e, num abraço, aninha-se no par
feito um afago fruto de emoção.

Depois, num beijo, o encontro peito a peito,
se torna chama intensa ao contrafeito;
vulcão feroz no afago mais chegado…

Eclode, do prazer trazido à cama,
dois seres consumidos pela flama
entre a carícia do ato consumado!…

Soneto: Carícia – Paulo Braga Silveira Junior – Julho/2020

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Poesia, Poema e Soneto

Meia-noite (Hilário Soneghet)

Ouço o velho relógio lá na sala
bater as horas compassadamente;
meus sentidos se aguçam de repente,
e um suspiro profundo se me exala.

Tudo a mistério em tôrno a mim trescala;
olho a veia do pulso e o sangue ardente
passa em golfadas, cadenciadamente,
ao ritmo do relógio que badala.

“Eis a vida que “passa — considero —
“Ao ritmo dêsse fluido fatigado,
na eterna marcha para o marco zero.”

E, no silêncio atroz da solidão,
escuto o som sinistro e entrecortado
da meia-noite do meu coração.

Perfeição (Hilário Soneghet)

Tenho sofrido pela vida tanto,
tenho penado tantas amarguras,
que já não sei se meu sorriso é um pranto
ou se o meu pranto é um riso de venturas.

Mas não me importa o sofrimento! enquanto
padece o corpo, a alma, nas alturas,
delira e canta; e, no esplendor de um canto,
liberta-se de humanas conjunturas.

E, assim, ascendo ao páramo profundo,
com a auréola ideal de um protomártir
que busca a perfeição de mundo em mundo.

E nesse enlêvo de feliz asceta,
bendigo a sorte que me fêz um mártir
e êsse martírio que me fêz poeta!

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