Confinado – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Confinado – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Confinado – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Estando confinado, preso então,
distante dos que sempre tive amor
escuto um canto mudo em tom de dor
subir-me à mente lá do coração.

Começo a compreender-lhe o resplendor
e ouço que outros mais, desta emoção
também tocados n’alma em profusão,
se juntam numa espécie de louvor!…

São vozes cometidas de saudade
a transbordar o afeto que os invade
pulsando ao mundo essa energia pura…

Amor. É sempre o amor que, enfim, liberta
tocando o mundo na medida certa
e promovendo, para o mal, a cura!…

Soneto: Confinado – Paulo Braga Silveira Junior – Março/2020

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Para Sempre (Carlos Drummond de Andrade)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembramistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Gosto quando te calas (Pablo Neruda)

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

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