Danificado

Danificado

Danificado

Já fui um cara bom, legal, bacana,
mas hoje estou, bem sei, danificado
com muito para ser em mim trocado
na vida minha incauta e leviana!…

Tem sentimento até que pouco usado
mas brilho algum ou luz sequer emana
e a paciência minha, essa cigana,
não quer mais conviver comigo ao lado.

O amor deixou estragos, levou risos
e bagunçou meu ser sem dar avisos
de que haveria eterno prejuízo…

Danificado estou! Faltam-me peças:
afagos, beijos, sonhos (muitas dessas)
e dizem que me falta até juízo!

Soneto: Danificado – Paulo Braga Silveira Junior – Julho/2020

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Ela (Farid Félix)

Todo dia ela passa, manhãzinha,
mal radiosa do sol a luz se escoa,
tão logo a passarada desaninha
e asas ao vento a imensidão povoa.

Boneca de ouro e mármore caminha,
olhos postos no chão, simples e boa,
lembrando pelo porte uma rainha,
na opulência da graça que a coroa.

E ela passa… inflexivelmente fria,
mas tão linda no seu fulgor, que ensombra
a própria luz do sol, que a acaricia…

E, assim, ela não vê, abstraída e bela,
que é a minha alma, e não a sua sombra,
a sombra que a seus pés se vai com ela!

O Rio (Farid Félix)

Morosamente, múrmuro, rolando,
via-se o rio límpido e ondeante,
nas cristalinas águas espelhando
as árvores de em volta e o céu distante.

Transmudado de súbito, inconstante,
num tremendo caudal, espadanando,
tal como o velho mar tonitruante,
ele vai-se a rolar, turbilhonando.

Mas, refeito e em suave movimento,
o rio espelha o azul do firmamento
em suas águas claras e serenas.

Só em minha alma — abnegação e amor —
não se acalma jamais este rumor
de saudades, de mágoas e de penas.

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