Despiu-se

Despiu-se

Despiu-se

Despiu-se retirando o véu, a Lua,
na negra dimensão da madrugada
e desfilou da noite até à alvorada
sem ter vergonha alguma de estar nua!…

Mostrou-me em sua beleza aos olhos dada
que tem a pele clara, igual à tua,
e, sobre a imensidão em que flutua,
também é dama sempre apaixonada.

Ao vê-la tão divina em sua nudez
lembrei-me, com detalhes, cada vez
que igual tu te despiste aos olhos meus…

Tal como a Lua, nua e sedutora,
me vens nas madrugadas, tentadora,
me enlouquecer de amor nos braços teus!

Soneto: Despiu-se – Paulo Braga Silveira Junior – Abril/2020

Código HTML do E-book Coletânea de Sonetos Românticos Sonetos Dalma

Outros Sonetos

A mais

Ancorado

Medo

Toques

Embarcamos

Quisera

Poesia em Sonetos

Poesia, Poema e Soneto

Canção do Exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

José (Carlos Drummond de Andrade)

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

3 Comentários

Deixe uma resposta


%d blogueiros gostam disto: