Fera

Fera

Fera

Quando eu me dei por mim ela, ofegante,
de costas na parede, pressionada
me olhava feito fera que, excitada,
prepara o bote à presa equidistante!…

Lhe comprimi a boca me ofertada
e me mordeu os lábios um instante
erguendo as firmes coxas o bastante
pra ver-se, em mim, melhor acomodada.

Deite-a sobre a cama, arfante, nua,
e dei-lhe do prazer da carne crua
a se encaixar à dela firmemente…

Gemeu satisfação; cravou-me às costas
as garras, sem perdão, ao couro postas
gosando todo o amor em nós presente!…

Soneto: Fera – Paulo Braga Silveira Junior – Abril/2020

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Alma de Côrno (Fernando Pessoa)

Alma de côrno – isto é, dura como isso;
Cara que nem servia para rabo;
Idéas e intenções taes que o diabo
As recusou a ter a seu serviço –

Ó lama feita vida! ó trampa em viço!
Se é p’ra ti todo o insulto cheira a gabo
– Ó do Hindustão da sordidez nababo!
Universal e essencial enguiço!

De ti se suja a imaginação
Ao querer descrever-te em verso. Tu
Fazes dôr de barriga á inspiração.

Quér faças bem ou mal, hyper-sabujo,
Tu fazes sempre mal. És como um cú,
Que ainda que esteja limpo é sempre sujo.

Rugido (Daniela Delias)

Há quem chame melancolia
o rugido tardio das pedras
dinamitadas contra o peito

mas não há por que dizer
restos de estrondo e pólvora
(as coisas são mais que seus nomes)

a mim fere mais
esse burburinho de pássaro
movendo suas asas finíssimas
intocado pelo tempo

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