Foi um momento – Fernando Pessoa

Foi um momento – Fernando Pessoa

Foi um momento – Fernando Pessoa

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu (braço,)
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento.
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,
Mas tão de leve!…

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há uma coisa
Incompreendida…

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?

Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Pousa um momento – Fernando Pessoa

Pousa um momento,
Um só momento em mim,
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim
Nesse momento!

No olhar a alma também
Olhando-me, e eu a ver
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
A ver até esquecer
Que tu és tu também.

Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou.

Pequenas – Paulo Braga Silveira Junior

De tão pequenas coisas fez-se, a vida,
e se compôs de instantes, de momentos
visíveis aos que têm olhos atentos,
mas trevas para a alma aqui perdida!…

Sorrisos dados, lágrima em lamentos,
a mão para ajudar sendo estendida,
um pôr do sol na tarde ressentida
por homens não cumprirem seus intentos…

O beijo que roubei-te à luz da lua,
as vezes que te me ofertastes nua,
o sonho em nós nos dado em tenra idade…

Pequenas coisas tuas que retenho
e por amar-te tanto em mim mantenho…
Imensa, tão somente, é essa saudade!

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