Gozo

Gozo

Gozo

Já fostes, nos meus olhos, de tristeza,
a lágrima vertida em solidão
e a dor que enlouqueceu-me de paixão
num breve instante incauto de incerteza!

Me fostes negra noite, escuridão,
o meu suspiro imerso de fraqueza;
a flor que tendo espinhos por defesa
feriu-me, sem piedade, o coração…

Raiastes, como um sol pós tempestade,
roubando-me num beijo a sobriedade
ao se fazer de luz rompendo o dia

e és hoje, entre os suspiros de um enlace,
no arfar, ruborizando o riso à face,
o gozo que me inflama de alegria!

Soneto: Gozo – Paulo Braga Silveira Junior – Junho/2020

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O MAR (Otacílio Colares)

É noite. Olhai o mar, medonho, gemebundo,
bravo, o dorso empolando aos raios do luar.
Minotauro é tal qual, dum labirinto ao fundo,
em doudos repelões o corpo a serpejar.

Como ele é belo assim, por tal forma iracundo,
furioso no contínuo e horrendo espanejar.
Olhai: contrai-se agora, e na mudez, profundo,
é como serpe horrenda o salto a preparar.

Passa um vento rasteiro, em sua eterna ronda.
E ele — o oceano — a ulular, correndo encontro à praia,
sobre ela em torvelins de espumas se esbarronda.

Ferve, agarra-se à terra, e esfalfa-se e desmaia,
e ao leito retrograda, em busca de outra onda,
deixando sobre a areia um manto de cambraia.

SONETO DE AMOR E ORGULHO (Otacílio Colares)

Se agora cá me tendes tão cuidoso,
Senhora, é que me sois o bem amado
E eu sei de mim que sou mais venturoso
Do que jamais o houvera desejado.

Que ninguém não me estranhe se, orgulhoso
Vou vivendo esta vida sem enfado,
Que não condena o amor ao venturoso
Que acaso soube haver o seu agrado

Se consegui de vós o amor que tenho,
Que a alguém não pese o meu sorrir, Senhora;
se o conquistei foi muito suspirando.

E não foi de tão fácil desempenho
O drama que hei vivido, antes que agora
Leve esta vida em que me vou cantando.

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