Medo de Amar – Vinícius de Moraes

Medo de Amar – Vinícius de Moraes

Medo de Amar – Vinícius de Moraes

Petrópolis
O céu está parado, não conta nenhum segredo
A estrada está parada, não leva a nenhum lugar
A areia do tempo escorre de entre meus dedos
Ai que medo de amar!

O sol põe em relevo todas as coisas que não pensam
Entre elas e eu, que imenso abismo secular…
As pessoas passam, não ouvem os gritos do meu silêncio
Ai que medo de amar!

Uma mulher me olha, em seu olhar há tanto enlevo
Tanta promessa de amor, tanto carinho para dar
Eu me ponho a soluçar por dentro, meu rosto está seco
Ai que medo de amar!

Dão-me uma rosa, aspiro fundo em seu recesso
E parto a cantar canções, sou um patético jogral
Mas viver me dói tanto! e eu hesito, estremeço…
Ai que medo de amar!

E assim me encontro: entro em crepúsculo, entardeço
Sou como a última sombra se estendendo sobre o mar
Ah, amor, meu tormento!… como por ti padeço…
Ai que medo de amar!

Soneto: Sonho – Paulo Braga Silveira Junior

De alguém vivi o sonho, dei o amparo,
vesti-lhe como meu e lhe dei vida
pois que minh’alma assim comprometida
julgou ser puro o amor, sincero, raro…

Agora a alma se vê desiludida
e frente à realidade eu me deparo
com toda essa evidência de que caro
me foi essa paixão com fé vivida!

Eu não possuo nada que me seja
por fruto dessa história que a alma enseja;
Mesmo a amizade de antes pereceu…

Não tenho paz, razões, valor, destino,
motivos para crer que foi divino,
nem mesmo um sonho pra dizer que é meu!

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