Medo – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Medo – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Medo – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

De apaixonar-me nunca tive medo;
temor, confesso, é do que vem depois…
É natural que assim me seja, pois
já me enrosquei por vezes nesse enredo!…

Não fez-se diferente com nós dois.
Me apaixonei por ti logo bem cedo
sabendo que esse amor que eu te concedo
é pôr o carro adiante, enfim, dos bois.

Eu hoje sou refém dos teus abraços
e, preso ao teu querer por firmes laços,
sofrendo os teus abusos vindo ao cio…

Me arrochas em tuas coxas, beija, assanha,
devoras minha carne, morde, arranha…
Tornou-se amor. Meu medo se cumpriu!…

Soneto: Medo – Paulo Braga Silveira Junior – Abril/2020

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O Medo (de Alma Welt)

Tenho medo da solidão da Morte,
Como o Corisco no meio da caatinga,
Medo do frio que sobrevém ao corte,
E do silêncio que finalmente vinga.

Tenho medo do aniquilamento
Do ego longamente acalentado
Para nada, ou vislumbre de momento,
Para logo se apagar não anotado,

Duas datas somente, o tal resumo
Da ópera que foi a nossa vida,
Talvez um epitáfio como sumo.

Por isso arte, Arte, luta contra o Nada
Uma ilusão talvez, ingênua lida
Da alma eternamente inconformada…

O Trato (de Alma Welt)

A vida exige certo afastamento
Para ser plenamente aproveitada.
Demasiado envolvidos no momento
Não enxergamos do todo quase nada.

“Mas, Alma, não propões o “aqui e agora”?
Não consiste nisso a tua doutrina?”
Ora, amigos, isso apenas foi outrora,
Joguei tal filosofia na latrina…

Para fruir da vida o puro extrato
Fiz com o meu anjo um simples trato:
Que me deixasse preservar minha criança.

E assim vivo agora duas vezes:
Emendando meus sonetos de revezes
Com as minhas memórias de abundância…

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