Mentira?

Mentira?

Mentira?

Quem há do amor dizer que é de mentira
se nos invade a carne e, a pele, inflama
qual fosse essa vontade à luz da trama
a febre que o desejo em nós delira?!…

O sangue ferve enquanto o ventre clama
o encaixe que a libido a sós conspira,
mas o pecado que a razão proibira
é justo o anseio dado a quem se ama.

Deixamos nos levar entre gemidos,
sussurros de prazer, nós dois remidos
na flama que se impõe sem causar dor…

Gozamos, um no outro, vezes tantas
quais almas sem pudor, mas livres, santas…
Dirá, quem há, mentira o nosso amor?

Soneto: Mentira? – Paulo Braga Silveira Junior – Julho/2020

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Poesia, Poema e Soneto

SENSAÇÃO (José Rodrigues Pinagé)

Sério e saudoso, o sertanejo sente sede
e, senhor da selva, saboreia
sulco silvestre e suave, que serpeia
sobre o solo, a seguir, serenamente.

Sempre singelo e sonhador, semeia!
Seu semblante cismático e silente
sangra ao Sol… Some a sápida semente
saginada, que o sol seca e saqueia…

Sopro de seca no sertão sibila,
sacode a selva em sensações supremas,
sinistramente, em súbitos solfejos!

Sobre a serra sem sombra o sol cintila!
Segue-se o soluçar das seriemas,
sepultando em saudade os sertanejos!…

ENTÃO SOMENTE (Guimaraens Passos)

Viste-me, e eu era solitário e triste,
os meus dias de sol, órfão, passava;
e se um sorriso alguma vez pairava
nos meus lábios, Claés, tu nunca o viste…

Porque, tão passageiro iluminava
o meu semblante um riso, que se existe
o gozo, o próprio gozo que fruíste,
nunca a minha alma viu-se dele escrava.

Amei-te quando tu também, sofreste
quando me deste amor, e não somente
amor, mas quando o teu pesar me deste.

Quando me deste o pranto teu, veemente;
quando o teu peito em lágrimas verteste
misericordiosissimamente.

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