Moderado

Moderado

Moderado

Vestiu-se de um sorriso moderado,
talvez até que assim, quase escondido,
acompanhando o olhar meio perdido
à luz da tarde em dia ensolarado!…

Lhe percebi o instante ali ocorrido
por certo sem sequer me ser notado
e pus-me a postular por resultado
qual a razão do riso ali vertido!

Talvez a sombra lhe alegrou, matreira,
brincando ao chão da forma costumeira
como a bailar sob a canção do vento…

Quem sabe?… Eu lhe daria o coração
(bem mais que um trato em troca de um tostão)
apenas pra saber-lhe o pensamento!…

Soneto: Moderado – Paulo Braga Silveira Junior – Junho/2020

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Poesia, Poema e Soneto

SABIÁ (Solange Rech)

Todo dia ele vem, ao fim da tarde,
Com sua companheira, a fazer festa.
Começa logo, em ritmo de seresta,
O seu canto mavioso, em grande alarde.

A fêmea, ao seu redor, de paixão arde,
Por esse seresteiro que protesta
Amá-la sempre, de uma forma honesta,
E ser seu protetor, não ser covarde.

Muitos, falando em nome do Senhor,
Contam “verdades”. Seja lá quem for:
Papa, pastor, rabino, aiatolá…

Ouvindo o teu cantar num galho tosco,
Sei que Deus, se quiser falar conosco,
Vai usar tua voz, meu sabiá!

O RIO (Solange Rech)

Quantos segredos o teu seio oculta
Com esse deslizar firme e perene.
Basta, porém, que um pescador te acene
E és como o pai, que, ao ver o filho, exulta.

No inverno teu volume aumenta e avulta,
Foges das margens, ganhas ar solene.
Mas quem te desafie ou te apequene
Morre tragado, vira alma insepulta.

Como tu, velho rio, já fui riacho,
Rasguei meu leito usando mãos e dentes.
Lutamos ambos — tudo são igual.

A diferença que entre nós eu acho
É que tu recebeste outras vertentes
E eu completei com pranto o meu caudal.

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