Nu – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Nu – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Nu – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Deitei-me, nu, na praia da esperança
à espera de banhar-me do amanhã…
Na brisa, um cheiro doce de avelã
me remeteu aos tempos de criança!

Minh’alma, da saudade, é cidadã
então o meu lembrar ali se lança
enquanto o tempo, manso e lento, avança
no amparo desta minha fé cristã.

O infante não retém preocupação…
Se lança à vida tendo a crença à mão
de haver quem bem lhe cuide e dê-lhe amor…

Ali despi-me de qualquer receio
e extrema paz sobre os meus ombros veio
quando eu rendi por tudo, ao Pai, louvor!

Soneto: Nu – Paulo Braga Silveira Junior – Março/2020

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Velhas Árvores (Olavo Bilac)

Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas…

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

Cantares (Antonio Machado)

Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar

Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,
como bolhas de sabão

Gosto de ver-los pintar-se
de sol e grená, voar
abaixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se…

Nunca persegui a glória

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar

Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar

Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar…

Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar”…

Golpe a golpe, verso a verso…

Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe viram chorar
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…”

Golpe a golpe, verso a verso.

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