Olhei – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Olhei – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Olhei – Soneto (Paulo Braga Silveira Junior)

Olhei o azul do céu… Havia vida
por todo o canto aonde a vista alcança…
De sobre a Mantiqueira o sol se lança
louvando o dia em graça concedida!

Pensei comigo: ainda há esperança;
persiste a fé que, em Deus, nos é devida.
De longe ouvi, qual prece ressentida,
o choro puro e são de uma criança.

Lembrei das coisas belas, dos momentos,
do riso a dois, afetos, sentimentos,
teu corpo nu se entrelaçando ao meu…

Com emoção olhei todo o passado
e, posto frente a frente ao recordado,
sou grato a tudo o que o viver me deu!

Soneto: Olhei – Paulo Braga Silveira Junior – Março/2020

Poesia em Sonetos

Outros Sonetos

Confinado

Seja feita

Sobreviver

De frente

Loucura

Invasão

Poesia, Poema e Soneto!

A Esperança (Augusto dos Anjos)

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença,
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a Crença do fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro — avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da Morte a me bradar; descansa!

Enquanto quis fortuna (Luiz de Camões)

Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co’o tormento,
Para que seus enganos não disesse

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são e não defeitos;
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.

3 Comentários

Deixe uma resposta


%d blogueiros gostam disto: