Partes

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Não te apaixones só das minhas partes
de qualidades boas, agradáveis,
as que te dão prazer, por memoráveis,
e aquelas que dedico a algumas artes!…

Também das partes ruins e destacáveis
não venhas desprezar, sequer descartes…
Das cismas, rabugices, não te apartes
quais fossem coisas minhas detestáveis.

Pois não seria a mim, já que incompleto,
a quem terias dado amor e afeto,
perdendo tempo a preço de emoção…

Não ames partes minhas tão somente…
O inteiro é que te dou por pretendente
das coisas que te vão no coração!

Soneto: Partes – Paulo Braga Silveira Junior – Junho/2020

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RISO (Afonso Duarte)

Tive o jeito de rir, quando menino,
Até beber as lágrimas choradas:
Com carantonhas, gestos, desatino,
Passou a nuvem e os pequenos nadas.

A rir de escuridões, de encruzilhadas,
Tornei-me afeito logo em pequenino;
Porque ri é que trago as mãos geladas,
E choro porque ri do meu destino.

Vivi de mais num mundo idealizado
Comigo só: E só de mim descreio
Entornava-me riso a luz em cheio

Quando o meu mundo foi principiado;
Rio agora que não sei donde me veio
Sempre o mal que me trouxe o bem sonhado.

PAISAGEM ÚNICA (Afonso Duarte)

Olhas-me tu: e nos teus olhos vejo
Que eu sou apenas quem se vê: assim
Tu tanto me entregaste ao teu desejo
Que é nos teus olhos que eu me vejo a mim.

Em ti, que bem meu corpo se acomoda!
Ah! quanto amor por os teus olhos arde!
Contigo sou? — perco a paisagem toda…
Longe de ti? — sou como um dobre à tarde…

Adeuses aos casais dessas Marias
Em cuja graça o meu olhar flutua,
Tudo o que amei ao teu amor o entrego.

Choupos com ar de velhas Senhorias,
Castelo moiro donde nasce a Lua,
E apenas tu, a tudo o mais sou cego.

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