Passa uma borboleta por diante de mim – Alberto Caieiro – Fernando Pessoa

Passa uma borboleta por diante de mim – Alberto Caieiro – Fernando Pessoa

Passa uma borboleta por diante de mim – Alberto Caieiro – Fernando Pessoa

Passa uma borboleta por diante de mim

E pela primeira vez no Universo eu reparo

Que as borboletas não têm cor nem movimento,

Assim como as flores não têm perfume nem cor.

A cor é que tem cor nas asas da borboleta,

No movimento da borboleta o movimento é que se move.

O perfume é que tem perfume no perfume da flor.

A borboleta é apenas borboleta

E a flor é apenas flor.

7-5-1914
“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). – 64.

Mais de Fernando Pessoa:

Todas as cartas de amor são ridículas

Vou com um passo como de ir parar

Dá-me as mãos por brincadeira

Navio que partes para longe

Quando vier a primavera

6 Comentários

Deixe uma resposta


%d blogueiros gostam disto: