Pastor

Pastor

Pastor

Um bom pastor de sonhos sou, de fato…
Os levo pra pastar logo bem cedo
por entre o verde afável do arvoredo
nos campos onde, em versos, lhes retrato!

São mansos como ovelhas; vão sem medo
por vezes nos telhados, como gato,
brincando as cores vivas do abstrato
que dou-lhes, certos dias, por enredo…

Me alegro a rebanha-los na tardinha
ouvindo o sol rezando a ladainha
pra noite acostumada ao desapego,

mas é nas madrugadas, no meu leito,
que trago-lhes pra junto do meu peito
e, com amor sincero, os aconchego!

Soneto: Pastor – Paulo Braga Silveira Junior – Junho/2020

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NO TEMPO DOS QUINTAIS (Regina Coeli)

Estão lá penduradas no varal
Roupas a balançar alegremente
Os sonhos que corriam para a frente
Sacudindo a poeira do quintal…

E nas risadas frouxas (sem igual!)
De um tempo a beliscar a minha mente
Eu sinto o que me falta de contente
No hoje sem folia, que faz mal…

Eu visto aquelas roupas tão clarinhas
Lavadas por mamãe com tanto amor
E dispo as encardidas nódoas minhas…

O que ficou lá atrás, seja o que for
Esvoaçando nas cordas menininhas,
Foi a alegria que hoje veste dor.

QUIMERA (Regina Coeli)

À tarde quando o sol em despedida
Beija a faceira lua apaixonado,
Quisera estar com ela lado a lado
Amando-a sem chegada nem partida.

A lua, meigamente enlanguescida,
Se mostra ao sol em branco perolado;
Quisera tê-lo em céu bem estrelado
E só a ele amar por toda a vida…

Destino traiçoeiro, quem traçou?
Negar amor a amantes no infinito
Somente nega quem jamais amou.

Ardeu paixão o sol, raiando em grito
Na luz que a amada lua então gestou
Parindo o seu luar, manso e bonito.

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