Pedaços

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Pedaços

Há muitos por aí dos meus pedaços
que me completam todo em minha essência
dispostos noutros seres, por clemência
e por querer de Deus que lhes deu traço!…

Juntá-los, para mim requer paciência
e de colher-lhes, pois, me satisfaço
aos lhes reconhecer, sem embaraço,
e, deles, completar minha aparência.

Por um me vem ternura; d’outro, a paz…
de alguém, talvez, a luz melhor, capaz
de acrescentar-me fé em meio à dor…

Tu és o meu pedaço favorito…
Assim fez-te, o destino, por escrito,
pra ser-me o que melhor se tem do Amor!

Soneto: Pedaços – Paulo Braga Silveira Junior – Junho/2020

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Não Cantas Mais (Palmyra Wanderley)

Não cantas mais! Junho, brumoso e frio,
Hoje foi teu coveiro, meu cantor.
Chove lá fora. E eu sinto na alma o estio
Da tua doce voz cheia de amor.

Não cantas mais! Do teu cantar o fio
Partiu-se na garganta, sem rumor…
Morreu contigo o derradeiro pio
E na roseira a derradeira flor.

E assim, tão só, como viver agora,
Sem ter mais quem me entenda, como outrora,
No canto irmãos, no sentimento iguais?

E, enquanto na minha alma dolorida,
A tua voz me fala para a vida,
A dor que me doeu, dói muito mais!

ALMAS PARALELAS (Palmyra Wanderley)

Há nesta vida uma barreira densa,
Sombra maldita entre nós dois pairando.
Corvo de Poe, de garra adunca, imensa,
Tôda felicidade estrangulando.

Fôrça do mal sôbre nós dois suspensa,
Na figueira de Judas balouçando.
Um mistério, um abismo, a indiferença,
Reticências de amor nos separando.

Almas proscritas, almas paralelas,
Jamais se encontrarão. As sentinelas
Da inveja andam de espreita. Sorte amara…

E assim dissimulando a nossa estima,
Quanto mais êste amor nos aproxima,
Mais a mão do destino nos separa.

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