Poema: Autopsicografia (Fernando Pessoa)

Poema: Autopsicografia (Fernando Pessoa)

Poema: Autopsicografia (Fernando Pessoa)

O Poema Autopsicografia é um dos principais de Fernando Pessoa. Seus versos foram escritos em 01/04/1931 e publicados pela primeira vez na revista Presença, em 1932 – edição número 36 – Lançada em Coimbra.

Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve
Mas a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de cordas
Que se chama coração.

Temos abaixo um soneto do Poeta Paulo Braga Silveira Junior em consideração ao poema Autopsicografia.

Fernando Pessoa – Paulo Braga Silveira Junior

Nem todo fingidor se faz um poeta
nem tem, na escrita, o dom exposto em verso
pois que, o assim ser, é fato controverso.
Um poeta fingidor é um raro esteta!…

Prá, um poeta, ficar bom é no reverso
que traça, por destino, a melhor meta
e, a emoção que finge, ele a arquiteta
trazendo, o pensamento, n’alma imerso.

Os gênios são assim! Olham pra vida
e tecem a ilusão que, pretendida,
compõe-se da verdade que ressoa…

Se o poeta é um fingidor, finge o que sente
expondo a dor real que lhe é presente,
és mesmo tú, Fernando, essa pessoa!

Pequena Biografia de Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, Mártires, 13 de junho de 1888 – Lisboa, Santa Catarina, 30 de novembro de 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.

Considerado o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa de Durban, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como “Whitman renascido”, e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da civilização ocidental, não apenas da literatura portuguesa mas também da inglesa.

Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa e apenas uma em língua portuguesa, intitulada Mensagem. Fernando Pessoa traduziu várias obras em inglês (e.g., de Shakespeare e Edgar Allan Poe) para o português, e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto e Almada Negreiros) para o inglês e francês.

Enquanto poeta, escreveu sob diversas personalidades – a que ele próprio chamou heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro –, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Robert Hass, poeta americano, diz: “outros modernistas como Yeats, Pound, Eliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente… Pessoa inventava poetas inteiros”. Buscou também inspirações nas obras dos poetas William Wordsworth, James Joyce e Walt Whitman.

Retirado da Wikipédia

Além do Poema Autopsicografia (apresentado acima), leia abaixo outros poemas de Fernando Pessoa:

Fernando Pessoa – Poemas

Sonetos

Constatação – Paulo Braga Silveira Junior

Soneto é um poema de forma fixa que se apresenta com 14 versos e quatro estrofes, sendo dois quartetos e dois tercetos. Abaixo deixaremos dois Sonetos homônimos do Sonetista Paulo Braga Silveira Junior (mantenedor deste site) discorrendo sobre a vida e o passar do tempo – assuntos sempre dissertados nos poemas de Fernando Pessoa.

Constatação – Paulo Braga Silveira Junior

O tempo consertando vai, com jeito,
o que julgavam não mais ter conserto!
Não cura, na verdade, a dor, o aperto;
só deixa mais pra trás o que já feito!

As mágoas, a tristeza, o desacerto,
o coração quebrado ou com defeito,
as lágrimas roladas sobre o leito
não saram, não se vão num desaperto.

Apenas vamos indo, a bem da vida,
nos amoldando à falta em nós sentida,
sobrevivendo aos caos vindo em legado…

Não trata, o tempo, na verdade, nada…
Apenas vai correndo pela estrada
deixando-nos mais longe do passado!

Constatação – Paulo Braga Silveira Junior

Faz tempo que meu coração risonho
não fala mais comigo abertamente…
Se desligou de mim completamente
e nega qualquer bem que eu lhe proponho!

Cortou suas relações com minha mente
e guarda só pra si o que lhe é sonho…
Os meios pra lhe ouvir de que disponho
ruíram, num só tempo, totalmente.

Tornei-me, então, poeta sem poesia;
um mar sem luz do sol ao fim do dia…
Sou carta de paixão nunca expedida…

Silêncio no meu peito; a alma cansada
compreende o coração, mas não diz nada…
O amor dentro de mim não tem mais vida!

Mais sobre Fernando Pessoa

Leia aqui – Segue o teu destino! – Fernando Pessoa

Leia aqui – Foi um momento – Fernando Pessoa

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