Puro

Puro

Puro

Se apresentou a mim manso e sereno,
tão puro como é puro todo amor
e, embora eu nem notasse-lhe o calor,
fez todo o meu viver bem mais ameno!…

Eu que, descrente dele em minha dor
deixei que se achegasse a mim, pequeno,
sequer notei-lhe a se tornar tão pleno
e a me envolver com todo o seu vigor.

É isto o que, por ela, eu sinto agora!
Amor que, por amá-la, me devora;
que me apetece a carne e pulsa à veia…

Fez dela o meu desejo de paixão,
um vício contumaz, meu vinho e pão
dispostos sobre a cama em santa ceia!

Soneto: Puro – Paulo Braga Silveira Junior – Julho/2020

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CONTA E TEMPO (Laurindo Rabelo)

Deus pede estrita conta de meu tempo;
é forçoso do tempo já dar conta;
mas como dar, sem tempo, tanta conta,
eu que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo,
dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta;
quero hoje fazer conta, e falta tempo.

Oh vós, que tendes tempo sem ter conta,
não gasteis vosso tempo em passatempo,
cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.

Ah! Se aqueles que contam com seu tempo
fizessem desse tempo alguma conta,
não choravam, como eu, o não ter tempo…

MINHA TERRA (Cesídio Ambrogi)

Meu vilarejo — um cromo estilizado:
O largo da Matriz. Uma palmeira,
a cadeia sem preso, nem soldado.
Calma em tudo. Silêncio. Pasmaceira.

Andorinhas em bando no ar lavado.
O rio… O campo além de uma porteira.
Um velho casarão acaçapado…
— Nossa casa tranqüila e hospitaleira.

O Cruzeiro lá em cima, em plena serra,
braços erguidos para a minha terra…
E eu criança e feliz. Que bela idade!

Hoje, porém, meu Deus, quanta emoção!
Do meu peito no triste mangueirão,
cavo e soturno, o aboio da saudade!…

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