Reticências

Reticências

Reticências

Não pus ponto final, mas reticências
ciente que o amanhã tem seu segredo
e não compete a nós, por mágoa ou medo,
reter, do amor firmado, as consequências!

Deixei aberta a porta desse enredo
juntando, do que eu tinha, as evidências
de tudo dito, as dores e exigências,
pois, pra esquecer, entendo que ainda é cedo.

Guardei, do que tivemos, as lembranças
abraços, beijos, sonhos de crianças…
Mantido os trago, vivos, na memória…

Pra que nunca termine o amor em mim
prefiro, em vez de dar-lhe um triste fim,
fechar com reticências minha história!…

Soneto: Reticências – Paulo Braga Silveira Junior – Julho/2020

E-BOOK – COLETÂNEA SELECIONADA

Poesias em Sonetos

LIVRO FÍSICO PRA QUEM GOSTA DE FOLHEAR…

Outros Sonetos

Carícia

COLETÂNEA SELECIONADA PARA EMOCIONAR

Poesia, Poema e Soneto

Olhos Azuis (José Chagas)

Os teus olhos azuis não eram mais
do que os olhos azuis de uma mulher.
No entanto, eu nunca vi olhos iguais,
nem esse azul era um azul qualquer.

Não sei se, sendo azuis, eram fatais
como os abismos, e nem sei sequer
como os teus olhos, sendo dois cristais,
podiam ser dois olhos de mulher.

Só sei que esses teus olhos são ainda
uma lembrança azul que não se finda,
como a distância em forma de um adeus.

E o mais que eu sei é não lembrar-me agora
de quantas vezes me perdi na aurora
desse infinito azul dos olhos teus.

A Libertação Íntima (José Chagas)

Por que teve o destino de fechar-me,
Por tanto tempo, num sobrado antigo
Como se num espanto sem alarme
A solidão me fosse um doce abrigo,

E onde eu estivesse então de confessar-me,
Com o quanto o coração tinha consigo,
E o mirante a atrair-me com seu charme
A me envolver em seu silêncio amigo,

Mostrando que o melhor fora calar-me
A fazer de mim mesmo o meu jazigo?
Mas eis que agora, livre com meu carme,

De tão longo silêncio me desligo,
E pede o coração que eu me desarme
De tudo o que afinal guardei comigo.

E-BOOK PARA OS CIBERNÉTICOS….

0 Comentários

Deixe uma resposta


%d blogueiros gostam disto: