Soneto: Tu chegas (Paulo Braga)

Soneto: Tu chegas (Paulo Braga)

Soneto: Tu chegas (Paulo Braga)

Tu chegas como vem-me a inspiração:
bem quando quer, do nada, inesperado
e basta vir pra achar-me enamorado,
tomado de querer e de paixão!…

O corpo teu, de estrofes adornado,
vai revelando ao poucos teu refrão
despindo-te nos versos da emoção
por todo o teu querer incendiado.

Me abraças com tuas rimas na cadência
dos ventres se encontrando sem prudência
e entregas teu prazer entre gemidos…

O sol pela manhã rompendo o dia
encontra este poeta e tu, poesia,
colados, nus, os dois de amor vencidos!…

Soneto: Tu chegas – Paulo Braga Silveira Junior – Janeiro/2020

Soneto: Tu chegas é de autoria de Paulo Braga Silveira Junior, também mantenedor do blog Poesia em Sonetos. Parte do acervo você por adquirir clicando AQUI.

Soneto: Tu chegas (Paulo Braga)

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Poesia, Poema e Soneto!… Cruz e Souza

João da Cruz e Sousa nasceu em Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, Santa Catarina, no dia 24 de novembro de 1861. Filho de escravos alforriados nasceu livre. Foi criado como filho adotivo do Marechal de Campo, Guilherme Xavier de Sousa e Clarinda Fagundes de Sousa. Por ter nascido no dia de São João da Cruz, recebeu o nome do santo, e o sobrenome da família que o criou.

Em 1865, começou a aprender as primeiras letras com sua protetora. Com sete anos, Cruz e Souza escreveu seus primeiros versos. Em 1869 entrou para uma escola pública, onde se destacava. Nessa época já declamava em salões e teatrinhos. Em 1871, com dez anos, matriculou-se no colégio Ateneu Provincial Catarinense, onde estudou francês, latim, matemática e ciências naturais.

Amante das letras, em 1877, Cruz e Sousa dedicou-se ao magistério e começou a publicar seus versos em jornais da província. Empenhado na campanha abolicionista, com o amigo Virgílio Várzea, durante vários anos redige para o jornal Tribuna Popular. Passa a sofrer perseguições por ser negro.

Em 1885, Cruz e Sousa estreia na literatura com o livro de poemas em prosa: “Tropos e Fantasias”, em parceria com Virgílio Várzea, em que já se reconhecem algumas características marcantes do Simbolismo. Nesse mesmo ano assumiu a direção do jornal “O Moleque”, cujo título se deve à sua rebeldia contra o preconceito de cor, de que sempre foi alvo.

Doença e Morte

Conhecido como o “poeta negro”, Cruz e Sousa viveu seus últimos anos numa luta contra a miséria e a infelicidade, quando poucos reconheceram seu valor como poeta. Sua esposa tem crises nervosas. Dos seus quatro filhos apenas dois sobreviveram. Vítima da tuberculose, em 1898, muda-se para a cidade de Sítio, em Minas Gerais, à procura de alívio para o mal, mas falece logo depois. Seu corpo foi transladado para o Rio, num vagão de transporte de animais.

Cruz e Sousa faleceu na cidade de Sítio, em Minas Gerais, no dia 14 de março de 1898.

Por Dilva Frazão

Soneto: Madona da Tristeza – Cruz e Sousa

Quando te escuto e te olho reverente
E sinto a tua graça triste e bela
De ave medrosa, tímida, singela,
Fico a cismar enternecidamente.

Tua voz, teu olhar, teu ar dolente
Toda a delicadeza ideal revela
E de sonhos e lágrimas estrela
O meu ser comovido e penitente.

Com que mágoa te adoro e te contemplo,
Ó da Piedade soberano exemplo,
Flor divina e secreta da Beleza.

Os meus soluços enchem os espaços
Quando te aperto nos estreitos braços,
solitária madona da Tristeza!…

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