Tímida

Tímida

Tímida

Tão tímida, lhe achei erroneamente,
e dei-a, então, por casta e ponderada,
mulher de finos modos, recatada,
que nunca sai dos trilhos nem que tente!…

Mas, nua, veio a mim na madrugada
se como transformada inteiramente
e me envolveu num cio voraz, ardente,
qual fera arisca, alerta, esfomeada…

Gemeu sem ter pudor do encaixe feito,
arfou, grunhiu ao me arranhar o peito
e devorou-me a carne, ensandecida…

Somente lhe voltou a timidez
depois de saciada enfim, de vez,
e, pelo intenso gozo seu, vencida!…

Soneto: Tímida – Paulo Braga Silveira Junior – Maio/2020

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OLHOS AZUIS (José Chagas)

Os teus olhos azuis não eram mais
do que os olhos azuis de uma mulher.
No entanto, eu nunca vi olhos iguais,
nem esse azul era um azul qualquer.

Não sei se, sendo azuis, eram fatais
como os abismos, e nem sei sequer
como os teus olhos, sendo dois cristais,
podiam ser dois olhos de mulher.

Só sei que esses teus olhos são ainda
uma lembrança azul que não se finda,
como a distância em forma de um adeus.

E o mais que eu sei é não lembrar-me agora
de quantas vezes me perdi na aurora
desse infinito azul dos olhos teus.

A LIBERTAÇÃO ÍNTIMA (José Chagas)

Por que teve o destino de fechar-me,
Por tanto tempo, num sobrado antigo
Como se num espanto sem alarme
A solidão me fosse um doce abrigo,

E onde eu estivesse então de confessar-me,
Com o quanto o coração tinha consigo,
E o mirante a atrair-me com seu charme
A me envolver em seu silêncio amigo,

Mostrando que o melhor fora calar-me
A fazer de mim mesmo o meu jazigo?
Mas eis que agora, livre com meu carme,

De tão longo silêncio me desligo,
E pede o coração que eu me desarme
De tudo o que afinal guardei comigo.

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