Troca

Troca

Troca

Tentei a troca, enfim, do pensamento;
mudar o foco do que n’alma anseio…
Busquei assim, e foi por todo o meio,
mutar pela raiz, o sentimento!…

Não tive dentro em mim nenhum receio
pois eis que eu tinha certo o meu intento;
lancei a sorte, livre, pelo vento
pra que de mim se fosse o que alardeio.

Mudei o rumo, o olhar, minha postura,
a fé dentro de mim e até a procura
das coisas que fizeram-se saudade…

Mas não tem cura… És tu que me domina
no jeito teu mulher, voraz, menina,
e quem me traz, eu sei, felicidade!…

Soneto: Troca – Paulo Braga Silveira Junior – Junho/2020

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À SOMBRA DE UM SONETO (Odir Milanez)

Penso um soneto e paro, com receio
de ser igual a carta descartada,
dessas cartas que escrevo e só eu leio
para não ser de todo rejeitada.

Temo entendê-lo desprezado. Creio
ser meu soneto flor da madrugada,
quando param das letras o passeio
e tudo passa em passos de ser nada!

Subscrevo saudades, mas o medo
de versar volições que não se vê,
me leva a ser poeta mudo e quedo.

Penso um soneto e paro. Para quê
ser confesso de amor nalgum segredo
que só eu leio e mais ninguém o lê?

Então disfarço e faço esse arremedo
de soneto, que sei, não vê você…

SONETO ESCANCARADO (Ruth Gentil Sivieri)

Ainda que não seja tão perfeito,
Que falte rimas ricas e beleza,
Escancaro esse canto inda imperfeito,
Sem me ligar à sua singeleza.

Não temo que o entendam com defeito.
Escancaro-o na forma e na certeza
De ser pra mim um formidável preito,
Composto na mais pura candideza.

Também verso saudades, que nem sei
Se são reais ou se fantasiosas,
Mas certa estou que sempre te amarei.
E nessas rimas despretensiosas,

Escancaro esse amor que em mim guardei
Para beijá-lo em ti, beijando rosas!

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