Urgência

Urgência

Urgência

A urgência em mim, um jovem do interior,
só era o encontrar-me lá na praça
que é onde a mocidade se congraça
em plena tarde, até o sol se pôr…

Depois da formatura, a vida embaça
e proeminente fez-se achar labor;
fazer-me um cara sério e de valor
porque, a idade, os anos meus trapaça!

Tornei-me então, depois, homem maduro
e fui atrás de alguém pro meu futuro
pulsando, em mim, paixão voraz, fremente…

Achei-te pelas tramas do destino
e, desde após, por crença ou desatino,
tu és o amor que anseio arfar Urgente!…

Soneto: Urgência – Paulo Braga Silveira Junior – Junho/2020

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A TRISTEZA DO RELOGIO (Rodolpho Machado)

Qual um tísico, assim, que as ilusões primeiras,
fanadas ilusões, num sonho, as tem fugindo,
á meia-noite ouvi, desse ano velho e findo,
soluçar meu relógio as horas derradeiras.

E eu que sempre o escutei, manhãs, tardes inteiras,
calmo, no seu tic-tac, o tempo dividindo,
por ouvi-lo em tal noite, estremeci, sentindo,
como que um choro atroz de doze carpideiras…

Então, saudoso e absorto, entre sombras e fraguas,
a rede da Lembrança abri sobre o Passado
e colhi pelo escuro as falecidas mágoas.

Ah! e o relógio embora ouvisse tantas vezes,
jamais tão triste o ouvi bater, lento e magoado,
no extremo funeral dos Dias e dos Meses.

PAPOULA (Rodolpho Machado)

Túmida e rubicunda, a cor que a exalta grita,
em metálicos sons, como um clarim vibrando!
— Flor que estimula, inspira, entusiasma e indigita
a alma a ver numa lança um coração sangrando.

Delírios, convulsões, ódios febris, desdita
de um grande amor fatal, tudo recorda, e, quando,
ao sol-pôr, sobre a haste, ela adormece aflita,
creio-a numa explosão de lágrimas chorando.

Papoula — flóreo cancro ardendo em rubras dores!
chaga do térreo ciúme aberta ás outras flores!
sangue, coalhado em flor, da hemoptise dos Poentes!…

Nela a tragédia narra as concepções do Belo:
olho-a e fico a sonhar que as torturas de Othelo
rugem-lhe no esplendor das pétalas rubentes.

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