Vendaval

Vendaval

Vendaval

Lá fora é tempo feio, tempestade
de raios e trovões num céu cinzento;
é caos e confusão, pavor, tormento
que, o dia, arromba e, sem pudor, invade!…

No nosso quarto, à flor do sentimento,
o furacão presente é o da vontade
que chega, faz-se ouvir e nos persuade
a dar-lhe tom e voz todo o momento…

É chuva de prazer, inundação,
um vendaval com uivos de paixão
se o tsunami avança em seu furor…

As ondas vêm no encaixe costumeiro,
se elevam quando aumenta o aguaceiro
nos afogando ao mar chamado Amor!

Soneto: Vendaval – Paulo Braga Silveira Junior – Junho/2020

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Poesia, Poema e Soneto

DESTINO DO POETA (Roger Feraudy)

(a Fernando Pessoa)

Fazer poemas é criar fingindo
que a própria realidade é fantasia,
fazer poemas, dar de si mentindo
aos outros no disfarce da alegria.

Falaz habitual, nos iludindo
na poética imagem da estesia,
vai sempre em cada verso conseguindo
fazer-nos crer verídica a poesia.

Mas dentro em mim traria a dor ingente,
a dor mais triste dentro em mim traria
se não pudesse mais rimar um dia.

E sofro inconformado, incompetente,
na estrofe que nasceu empobrecida,
em quem tentou fazer versos da vida…

”NOSCE TE IPSUM” (Roger Feraudy)

Quantos de nós em fútil ostentação,
numa vaidade tola, desmedida,
queremos ser notados, mas em vão,
pois passamos em branco pela vida.

Quantos de nós em fátua presunção,
queremos vislumbrar a foragida
imagem de sonhada aspiração
que, cegos, quase sempre até se olvida.

Quantos de nós usando falsidade
para encobrir na vida os descompassos,
aparentamos sóbria honestidade.

Quantos de nós, enorme contingente,
a outrem atribuímos os fracassos
que fazem, afinal, parte da gente …

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