Vida

Vida

Vida

A vida é frágil, curta e passageira;
se vai num tempo breve e traiçoeiro
com seu passar constante, atroz, ligeiro,
sem ter, pra lhe impedir, qualquer barreira.

Quem nela embarca torna-se parceiro
independentemente se assim queira
e deve aproveitar de sua soleira
enquanto for, nas lutas cá, guerreiro!…

Não nos dará só cardos ou espinhos
mas haverá perfume nos caminhos,
amor, paixão, saudade ao fim do dia…

E ter vivido valerá a pena
pois tudo o que o viver a nós encena
se torna para o Eterno, enfim, Poesia!

Soneto: Vida – Paulo Braga Silveira Junior – Maio/2020

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Désespoir (Oscar Wilde)

As estações deixam, ao passar, sua ruína,
E pois, na Primavera, o narciso que abre
Só murcha quando a rosa em chama rubra arde,
E as violetas roxas florem no Outono,
E o croco faz no Inverno a neve estremecer;
Assim hão-de florir de novo os lenhos nus
E este barro gris enverdecer de chuva
E dar boninas, que um moço há-de colher.

Mas que dizer da vida cujo mar faminto
A nossos pés escorre, e das noites sem sol
Toldando os dias de que não resta esp’rança?
A ambição, o amor, tudo o que penso ou sinto,
Cedo é perdido, e há que achar prazer tão-só
Nas espigas ressequidas da morta lembrança.

Fantaisies décoratives (Oscar Wilde)

Sob a sombra que baila da roseira
Há uma garotinha de marfim
Que arranca as folhas róseas e perladas,
Com unhas verde-água de jade.

As folhas rubras caem sobre o húmus,
As folhas brancas, uma a uma, entornam-se
Por uma taça azul, aonde o Sol
Tal um dragão de ouro se retorce.

As folhas brancas pairam pelo ar,
As folhas rubras descem langorosas,
Algumas sobre seu robe amarelo,
Algumas sobre seus negros cabelos.

E toca um alaúde de âmbar, ela canta,
E quando canta, um grou de prata
Começa a afagar seu papo roxo,
Com asas de metal a cintilar.

Toca um alaúde de âmbar, e brilha,
E lá do bosque denso onde se deita,
O seu amante, com olhos de amêndoa,
Espreita os gestos dela com deleite.

E ela solta então, de susto, um grito,
Começam a romper delgadas lágrimas,
Pois um espinho feriu com sua flecha
A rósea pele na concha do ouvido.

E agora ri em estrídulo alvoroço
Por tombar uma pétala de rosa
Aonde o cetim flavo deixa ver
A flor de veio azul do seu pescoço.
Com unhas verde-água de jade,
Há uma garotinha de marfim,
Sob a sombra que baila da roseira,
E arranca as folhas róseas e perladas.

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